PREZADO JORNALISTA ANCELMO GÓIS,
Na sua coluna de hoje, 5 de novembro, em "O Globo", sob o título "Outra coisa ...", está escrito:


"De um conhecido ex-preso político sobre Gilmar Mendes, para quem o "terrorismo também é crime imprescritível":
--- Com todo o respeito, o ministro esquece que aqueles que chama de "terroristas" foram, presos, torturados, exilados, assassinados. Já todos os torturadores jamais foram punidos. Se é para equipará-los ..."


Com o mesmo e salutar respeito, solicito ao jornalista observar:
Para não entrar em maiores e mais longos detalhes, lembro apenas que um tenente da PM de São Paulo foi barbaramente assassinado, um sentinela do então IIº Exército foi morto em um ato terrorista, um piloto comercial foi mutilado em um atentado a bomba, militares estrangeiros foram assassinados, diplomatas foram seqüestrados, bancos foram assaltados com a execução de guardas de segurança e simples transeuntes, e, como é sabido, toda violência começou com uma bomba que explodiu no aeroporto de Recife, matando e mutilando inocentes em um ato pensado e realizado pela esquerda. Imagino que o conhecido ex-preso político saiba disto e muito mais.
Ao contrário dos terroristas e adjacentes, os chamados genericamente de torturadores e, principalmente, as vítimas do terrorismo, não receberam absurdas indenizações e polpudas pensões sem incidência de Imposto de Renda --- o que os coloca em uma casta acima do comum dos mortais ---, não foram brindados com cargos públicos em todos os escalões, mesmo que, em boa parte dos casos, não apresentassem qualquer preparo para exercê-los. Alguns, não todos certamente, considerando que ainda era pouco, engordaram seus ganhos com notórias e pouco esclarecidas falcatruas. Como disse Millôr Fernandes, isto estava mais para investimento do que para ideologia. Parodiando o conhecido ex-preso político : "Se é para equipará-los ..."
Em seu livro "A ditadura envergonhada", Elio Gaspari afirma : "Pode-se dizer que, em cada dez IPMs, nove eram conduzidos com o estrito respeito às garantias dos acusados", o que mostra que a generalização da tortura, como insiste a esquerda, é mais do que perversa. Terrorismo e tortura são faces abomináveis da mesma moeda, mas posso afirmar, sem nenhuma intenção de justificá-la, que a tortura não começou no Brasil em 31 de março de 1964, nem acabou na véspera da posse do Sr Tancredo Neves. Sobre o terrorismo, o conhecido ex-preso político poderá falar com muito mais conhecimento de causa do que eu.
Na esperança que estas informações de um desconhecido mas habitual leitor sejam aproveitadas em sua coluna,
Cordialmente,

Cesar Augusto Araripe de Almeida Lacerda

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